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Antes do ‘fim dos livros’, chega ‘Sabático’

13 de março de 2010 - 10:35 am

Chegou-se a anunciar que ele vem para recuperar o espaço, e a missão, do tantas vezes saudado (e tão saudoso, para aqueles que tiveram a oportunidade de o ler) Suplemento Literário, que circulou entre 1956 e 1966, idealizado por ninguém menos que Antonio Candido e dirigido por Décio de Almeida Prado. Cedo ainda para saber se realmente é para tudo isso a chegada do novo Sabático (que, como o próprio nome indica, circula aos sábados), caderno exclusivamente literário lançado hoje pelo jornal O Estado de S. Paulo — que inaugura reformulação gráfica e de conteúdo (no papel e on-line) neste domingo, 14/03/2010.

Com o caderno em mãos há algumas horas, já podemos ensaiar breves considerações. Em termos de design, nada de surpreendente — na verdade, esperava bem mais, pelo que o jornal tem dito sobre a reformulação gráfica. Em termos de espaço — que, afinal, é algo que conta bastante, já que espaço nas publicações é dinheiro — percebemos o diferencial: oito páginas. Para um sábado, é sim um grande avanço, já que o jornal reservava nesse dia 2 ou 3 páginas para os livros. Mas resta saber como ficará o caderno cultural do domingo, quando o campo literário predominava. Na somatória dos dois dias, saberemos se o público leitor realmente sai ganhando ou se permanecemos no zero a zero.

Destaque desta primeiríssima edição do Sabático, Umberto Eco concede entrevista em que fala sobre sua nova obra (em parceria com Jean-Claude Carrière), Não contem com o fim do livro (Rio de Janeiro: Record, 2010, 272p.; tradução de André Telles). Há também um conto inédito (parte de um livro a ser lançado no segundo semestre) de Ronaldo Correia de Brito, autor do premiado Galiléia. E, ponto alto, reprodução de trecho (a íntegra pode ser lida aqui) da crítica de Antonio Candido sobre Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, na estréia do Suplemento, em 06/10/1956.

Por enquanto, fico com o Sérgio Rodrigues. Mesmo sem saber ao certo que caminhos o Sábatico percorrerá, numa época em que só se fala no possível desaparecimento dos livros no formato que o conhecemos, em tempos em que os cadernos literários, estes sim, parecem à beira da extinção, só o frisson em torno do lançamento do novo suplemento — e o esperado aumento de atenção concedida aos livros — já é algo a ser comemorado.

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