Archive for outubro \21\UTC 2009

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Livros que cabem no bolso

21 de outubro de 2009 - 4:30 pm

Para felicidade geral do público leitor e de seus desvalidos bolsos, mais uma grande editora brasileira entra no segmento das edições populares, mais conhecidas como pocket books ou livros de bolso. Pertencendo, desde 2005, ao poderoso grupo espanhol Prisa-Santillana, a Editora Objetiva aproveita os braços internacionais a que se encontra ligada para trazer para o país mais um selo, o Ponto de Leitura (que se une às tradicionais marcas Suma de Letras e Alfaguara).

A fornada inaugural apresenta 12 títulos, de Stephen King (Carrie, A Estranha, O Iluminado e A Zona Morta) a James Redfield (A profecia celestina), passando por Nelson Motta (Noites Tropicais) e Luis Fernando Verissimo (O clube dos anjos), entre outros, com preços que vão de R$9,90 a R$29,90.

No final de 2007, a Objetiva havia manifestado interesse nesse nicho de mercado bastante explorado sobretudo nos EUA e Europa, mas que no Brasil somente há pouco tempo vem recebendo investimentos significativos. Com exceção da pioneira L&PM, cuja força repousa justamente no livro de bolso, apenas nos últimos anos os dois maiores grupos editoriais brasileiros — Companhia das Letras e Record — lançaram selos específicos para pockets (Companhia de Bolso e BestBolso, respectivamente). A princípio, os planos da Objetiva apontavam para a aquisição da Martin Claret, mas o interesse levantou antigas suspeitas acerca da qualidade das traduções da pequena editora. A Objetiva/Santillana recuou, esperou 2 anos, para agora entrar com força total no mercado. Como a editora possui autores importantíssimos em seu catálogo, o leitor pode esperar bons lançamentos para os próximos meses.

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Pitada de sal #11

20 de outubro de 2009 - 8:07 pm

“Os marqueteiros transformam Peter Pan em seu flautista de Hamelin, fingindo libertar os jovens das restrições da disciplina adulta para lhes impor a disciplina do mercado de consumo. O flautista de Hamelin atraiu para longe as crianças da vila porque seus pais não lhe pagavam para livrá-los dos ratos. O flautista de Hamelin do mercado atrai as crianças porque seus pais são ‘guardiões’ que ficam no caminho da indução das crianças ao hall dos consumidores. Assim como o flautista da história fez, o mercado hoje em dia finge capacitar as crianças que seduz dizendo-lhes que elas ficarão potentes com a descapacitação de seus pais. Libertadas de pais possessivos, elas estão, na verdade, encarceradas nos corredores do shopping da mente juvenil.”

Benjamin R. Barber dissecando o mundo do hiperconsumo em seu Consumido: como o mercado corrompe crianças, infantiliza adultos e engole cidadãos (Rio de Janeiro: Record, 2009, p.131; na tradução de Bruno Casotti).

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Gerais de Minas

18 de outubro de 2009 - 9:08 am

Cada vez que vou a BH, percebo uma nova faceta da capital mineira que minhas visitas anteriores simplesmente não me tinham mostrado. E cada vez me apaixono mais com a cidade. Neste post, resolvi deixar registradas algumas brevíssimas impressões e observações desta última jornada belorizontina.

Finalmente conheci a UFMG, ainda que numa visita relâmpago. Em meio ao ambiente charmosamente bucólico do campus, nada surpreendente notar que ao desmazelo das instalações da FAFICH, uma decadência cuidadosamente mantida nos limites da subsistência, corresponda a exuberância quase alienígena dos novíssimos prédios da Faculdade de Ciências Econômicas — tal qual acontece na USP e em tantas estaduais e federais país afora, a César o que é de César. Não quis me impor o desgosto de conferir se por lá também existem as “salas patrocinadas” como no torpe modelo da congênere paulistana FEA, mas poderia apostar a moedinha número 1 que tem dedo da iniciativa privada por lá.

E foi no prédio da FAFICH (mais precisamente numa pequena livraria chamada Quixote) que, depois de quase 3 anos de procura, consegui finalmente um exemplar novinho em folha do primeiro volume dos Ensaios Reunidos, do Otto Maria Carpeaux, que está esgotado há algum tempo e que, até em sebos, estava sendo difícil de achar. (Aliás, quem tem notícias de a quantas anda o projeto de resgate dos escritos de Carpeaux? A última coisa que ouvi, por parte da Topbooks, é que não havia qualquer previsão para um novo lançamento…).

– Ω –

Duplicação da Antônio Carlos: soluções urbanas e photoshop, uma parceria que dá certo.

BH segue investindo pesado em algumas adequações urbanas, como a duplicação da avenida Antônio Carlos, mas fico sabendo que nesta metrópole de quase 2 milhões e meio de habitantes, a expansão da malha metroviária (que, hoje, conta com apenas uma linha de pouco mais de 28km de extensão) tem sido bastante tímida — e isso mesmo com a “pressão” trazida pela Copa de 2014. De novo, a prioridade é o automóvel. Lógico, temos grandes montadoras instaladas no estado, como a Fiat. Abrir mais espaços para os carros é aumentar a capacidade de absorção do mercado (ao menos em termos físicos), é estimular a produção industrial; e estimular a produção é gerar emprego, gerar desenvolvimento… Até quando vamos insistir nessa cadeia equivocada de raciocínio? Perguntar não ofende (ou não deveria): investir em transporte público sobre trilhos não gera empregos nem desenvolvimento?

– Ω –

Torre AltaVila, por Henriqueta Marques

Fala-se muito em Varginha, mas parece que os ETs têm posto avançado é em Nova Lima.

Quando você for a BH, algo que recomendo enfaticamente é uma visita à torre AltaVila. Localizada no município de Nova Lima (colado à capital), a torre é parte de um centro comercial que tem entre suas atrações o Hard Rock Café e um restaurante japonês instalado no ponto mais alto — a torre em si tem 101 metros de altura, mas como está fincada no topo de um morro, você acaba ficando 432 metros acima do centro de BH. Numa estrutura que propositalmente lembra um disco voador, é possível avistar boa parte de Belo Horizonte. Não sei como é durante o dia, mas à noite posso garantir que a vista é belíssima!

– Ω –

Outro lugar que adorei ter conhecido foi o Palácio das Artes, que fica no Parque Municipal Américo Renné Giannetti. De 6 a 12 de outubro o Palácio abrigou a 6ª edição do FIQ! (Festival Internacional de Quadrinhos). O festival prestou homenagem ao artista gaúcho Renato Canini, e trouxe nomes como Liniers (o segundo álbum Macanudo acaba de ser lançado no Brasil pela espertíssima editora campineira Zarabatana, de Cláudio Roberto Martini), Craig Thompson (Retalhos) e Guy Delisle (de Crônicas Birmanesas, Pyongyang e Shenzhen, todos da Zarabatana) para conversar com o público. Abaixo, uma pequena amostra do FIQ! nas fotos da Queta.

FIQ! 2009

FIQ! 2009 - Belo Horizonte, MG

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Pica-Pau vs. Pinóquio, por Canini

Canini, no FIQ! 2009 (pastorinha e ovelha)

A pastorinha, por Canini

Canini no FIQ! 2009 (sertão)

FIQ! 2009: homenagem ao artista gaúcho Roberto Canini