h1

Pitada de sal #7

29 de abril de 2009 - 5:42 am

“Em 1939, Jorge Luis Borges, famoso escritor argentino quase cego com genial pendor para uma fantasia literária obscura, escreveu um curto ensaio chamado ‘A Biblioteca de Babel’, prevendo os horrores da biblioteca infinita, sem centro, sem lógica […] um caos de informação, ‘composta de um número indefinido e talvez infinito de galerias hexagonais’.

‘A Biblioteca de Babel’ de Borges é a internet de hoje — anônima, incorreta, caótica e esmagadora. É um lugar onde não há realidade concreta, não há certo e errado, nenhum código moral vigente. É um lugar onde a verdade é seletiva e está constantemente sujeita a mudança. A experiência de surfar na internet é análoga à de perambular pelas galerias hexagonais da biblioteca de Babel de Borges. A verdade é elusiva, sempre a um clique ou a um site de distância.”

O polêmico Andrew Keen em trecho de seu ainda mais polêmico e provocativo O culto do amador (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009, p.82). Para mais trechos do livro, visitem o blog do Jaime Mendes — aliás, excelente — Livros, livrarias e livreiros.

Anúncios

2 comentários

  1. Ah, o terror tecnológico…

    Lembra daquele episódio de Arquivo X em que um mainframe consegue, à distância, ligar o PC da agente Scully?

    Isso me lembra outros temores episódicos.

    ¿Como seria nossa geração? se nossos pais não tivessem proibido o vídeo-jogo e não nos tivessem posto para lançar pião e tentar o bilboquê. Qual seria nossa identidade? Que valores teríamos?

    ¿O que aprenderiam os alunos de graduação? se cada professor deixasse-os usar o Harvard Graphics 3.0. Que tipo de profissional (in)capacitado a academia formaria?

    E ¿o que seria do nosso sistema judiciário? se os juízes, em vez de escrever relatórios à mão, fossem autorizados a datilografá-los. Como poderíamos ter certeza de que o autor do documento fora mesmo o mesmo que o assinou?

    E o Dr. Frankenstein? Já pensou se os médicos de hoje fossem capazes de pegar órgãos de uma pessoa e colocar em outra?

    Ainda bem que tudo isso não passa de um exercício de imaginação.


  2. Pois é, caro amigo. A sensação que me deu, ao avançar na leitura do livro, foi exatamente a de que estava frente a frente com mais uma manifestação do “horror às massas”. E é mais ou menos por aí mesmo. A História já registrou vários desses momentos, em que a “popularização” de qualquer coisa (basta lembrar da lenta, e sempre questionada, extensão do direito ao voto mundo afora) causa receio de que catástrofes se anunciam: porque “a qualidade” das decisões, das produções será solapada, e a nossa civilização estará em perigo… O Andrew Keen pensa mais ou menos assim. É lógico que apresenta alguns argumentos bem razoáveis de que realmente o descontrole total na rede pode causar sérios estragos à Cultura (vide o bundalelê que vira-e-mexe avacalha com o conteúdo oferecido pela Wikipédia), mas ele parece muito mais preocupado em causar alarme do que em compreender, de fato, as transformações que estão ocorrendo em nossa época.



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s