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Leve seu livro para passear

6 de novembro de 2008 - 11:16 pm

Numa cidade cosmopolita e culturalmente tão efervescente como São Paulo, por que é tão difícil flagrar alguém acompanhado de livros em parques, praças e cafés? (Sim, sempre existirão as exceções, mas elas são exatamente isso — e acabam cumprindo a sina de estarem lá quase que somente para confirmar a regra.) Se você é um amante dos livros, há de convir: é impossível andar pelas ruas desta metrópole e não ser atropelado por essa pergunta. Certa vez, um amigo, o Paulo Vidal, chegou a confidenciar que quando se sentava em alguma praça com um livro nas mãos receava ser confundido com um ET. E pensar que em alguns lugares do mundo, a prática da leitura ao ar livre ou em público (mas sozinho) é praticamente elevada à categoria de Arte… Entre nós, é mais comum observar pessoas lendo em ônibus ou no metrô. Longe de dizer que não seja louvável dedicar todo e qualquer tempo livre para a leitura, mas limitar os livros ao exíguo e opressor espaço do transporte público paulistano é praticamente uma maldade.

Pode-se ponderar: talvez São Paulo não seja a cidade mais convidativa para quem quer se dar ao luxo de parar, sentar, abrir um livro e passear os olhos por suas páginas. Uns dirão que o medo da violência explica tudo. Outros, que leitores talvez sejam figuras mitológicas e onde eles se escondem, quem há de saber? Talvez estejam todos certos. Peço licença, porém, para evitar todas essas teses e levantar aqui a bandeira de um movimento pra lá de legítimo.

Militante, pegue sua mochila, encha-a de livros e tome as ruas! Veja, a beirada do lago do Ibirapuera parece mesmo uma delícia para deitar, se espreguiçar e… mergulhar no mundo das letras. Quer lugar mais charmoso do que a Praça do Pôr do Sol — sobretudo quando este está, de fato, se pondo — para se deixar apaixonar por uma boa história? E que tal avançar páginas e páginas tendo a metrópole todinha a seus pés? — tente a Pedra Grande, lá no Parque Estadual da Serra da Cantareira. Alguém aí já experimentou levar sua obra predileta para o alto do Martinelli e ficar lá, assim como quem não quer nada, desafiando as vertigens e lendo? E será que é pecado misturar a fome com a vontade de ler? Mesmo se for, vamos ao Mercadão devorar pastel de bacalhau e romance policial para ver no que é que dá. O Anhangabaú é ótimo, a escadaria do Municipal, charmosíssima. Ah, sim, tem o Trianon. Ou, logo em frente, o vão livre do MASP. A Praça da Luz, os jardins do Ipiranga, as ruas e avenidas da USP

Pois é, local é o que não falta. Então, fica o convite. Neste fim de semana, junte-se ao movimento: leve seu livro para passear!

– Ω –

Escrito por Ronoc. Post também publicado no Blog da Cultura.

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4 comentários

  1. Eu estou sempre lendo, muita gente até critica, o que acho realmente repulsivo. Só por que essas pessoas não gostam de ler, acabam achando estranho ver alguém lendo na rua. Já ouvi muita coisa.
    Mas também não posso reclamar muito já que eles podem ter um pouquinho de razão hehe… afinal, quando eu era mais nova andava de bicicleta pelo bairro com um livro enterrado na cara.
    mas apoio completamente a propagação da leitura.
    vitoriabernardi.wordpress.com/


  2. Em minhas viagens diárias, tenho o estranho hábito de contar quantas pessoas estão lendo no vagão do metrô, e dar nota para o que estão lendo… confissões de uma mente engenhosa hehe


  3. Outro dia eu estava andando pela Paulista e vejo a Cléo Bedaque lendo, sentada em uma cadeira de um ponto para ônibus. Ela estava quase começando a entrar no trabalho, mas foi ler em ponto cheio de pessoas esperando ônibus, quando existem várias opções bem melhores lá perto: cadeiras do café do Espaço Unibanco menor (Augusta), as cadeiras do próprio Conjunto Nacional, até as cadeiras dos terríveis andares superiores Ruy Ohtakeanos do Shopping Center 3.
    No seu texto, você citou vários locais de São Paulo que eu costumo ler. Até alguns com freqüência, como a Escadaria do Municipal e o vão do Masp (grande Lina Bo Bardi). Mas vou dar algumas sugestões mais tranqüilas que eu adoro [como a própria Praça da Luz (no café da Pinacoteca, por exemplo)]:
    1) o café da cobertura do Sesc da Paulista no meio da tarde (todos os Sescs valem a pena para fazer isso, mas ali, pela bela vista e tranqüilidade em meio ao caos, é uma boa opção),
    2) o maravilhoso parque Água Branca (com os pavões, patos, gatos, etc. e que o Fábio Outsuka também recomenda),
    3) Praça Buenos Aires
    4) (Vilaboim também),
    5) o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil, pertíssimo do Martinelli),
    6) uma das escadas na frente do Pacaembu,
    7) a (agora em reforma) Biblioteca Mário de Andrade
    8) ou a Praça Dom Jose Gaspar, que fica logo atrás,
    9) etc., etc., etc….
    10) etc..

    ps se está em 3 locais/
    respondo 3 vezes


  4. Com dois filhos pequenos em casa fica difícil ler por aqui. Então, leio muito no metrô a caminho do trabalho; são 15 minutos da Saens Peña à Cinelândia, onde fica a editora Zahar; ida e volta, são 30 minutos/dia; 2 horas e meia por semana; 10 horas/mês na média. É claro que às vezes passo da estação e, quando vejo, estou na Glória ou no Catete; outras vezes, quando o livro tá naquele ponto que não dá pra parar e já chegou a estação, continuo lendo enquanto ando pela plataforma, na escada rolante (é ótimo; na estação Cardeal Arco Verde, em Copa, tem esteira rolante, e bem comprida), na escada tradicional, pela calçada, até entrar na editora.



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