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O mundo da convergência

19 de outubro de 2008 - 8:45 am

O que Beto, Osama bin Laden e um garoto armado com seu photoshop têm a ver com os novos rumos da comunicação?

A história começa assim: um garoto — não mais que isso; apenas um garoto — americano-filipino resolve reunir dois improváveis ícones numa inocente montagem. Utilizando um desses programas de edição de imagens, cria o inusitado par em seu computador: de um lado Osama bin Laden, líder da organização terrorista Al Qaeda, e do outro, Beto, um dos bonecos do antigo programa infantil Vila Sésamo. A criação dá início a uma série intitulada “Beto é do mal!”. Uma brincadeira — de gosto duvidável, mas ainda assim apenas uma brincadeira.

Mas, e como toda boa história tem um mas, a imagem vai para a internet. E é aí que tudo acontece. No auge da comoção causada pelos atentados aos EUA em 11 de setembro de 2001, um editor em Bangladesh, com o intuito de produzir material anti-americano e desconhecendo o personagem da Vila Sésamo, descobre a imagem e a reúne a outras tantas do líder terrorista. Os protestos tomam as ruas e lá estão as câmeras da CNN. O que se vê — os olhos não querem acreditar! — é uma multidão de revoltosos agitando no ar cartazes com fotos de Osama bin Laden posando ao lado de Beto!

Enredo de um quadro do Saturday Night Live ou de Os melhores do mundo? Pois bem, a história não só é verdadeira, como está relatada no livro Cultura da Convergência, de Henry Jenkins, que a Aleph acaba de trazer para o público brasileiro. Jenkins é considerado por alguns o novo Marshall McLuhan — sim, aquele mesmo que cunhou conceitos como “o meio é a mensagem”, “aldeia global” e tantos outros do mesmo calibre. Empresários do ramo midiático, criadores de games, entusiastas e estudiosos da comunicação acompanham com um interesse quase reverencial tudo o que o Jenkins publica. Seu nome está ligado a algumas das mais criativas e revolucionárias experiências midiáticas de nossos tempos. Os desdobramentos de séries como Lost, Heroes e filmes como Matrix em verdadeiros universos paralelos presentes em múltiplos meios são apenas alguns exemplos de iniciativas cujos próprios criadores reconhecem ter sofrido diretamente a influência do pensamento de Jenkins.

nos entrecruzamentos midiáticos de nossos dias, quem é quem?

Criador vs. consumidor: nos entrecruzamentos midiáticos de nossos dias, quem é quem?

De forma bastante resumida, é desta maneira que o próprio autor nos introduz à tese central de seu livro: “Bem-vindo à cultura da convergência, onde as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis.” (p. 27) Os papéis se confundem: quem produz, quem consome? As novas mídias não exterminam as antigas, mas lhes emprestam sobrevida em combinações nunca antes imaginadas, configurando, isto sim, novas formas de consumo e interação. Nas 380 páginas de Cultura da Convergência, Jenkins reflete (e convida à reflexão) sobre temas como comunidade do conhecimento, narrativas transmidiáticas, embates entre a cultura popular e a indústria cultural; fala bastante sobre Matrix, Star Wars, Star Trek, Harry Potter, Survivor, Heroes e, acima de tudo, sobre como a forma com que seus fãs se relacionam com esses “produtos” está obrigando diretores, roteiristas e toda a indústria da mídia a repensar e modificar radicalmente sua forma de atuação.

Escrito por Ronoc ¦

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3 comentários

  1. O surreal de ontem é o real de hoje.


  2. “e um garoto armado com seu _photoshop_” (grifo meu)

    Será que esse garoto lê gibi?


  3. […] em tudo isso, vemos que a tese que alguns autores (entre eles,  Henry Jenkins, de quem já falamos brevemente por aqui) defendem de que os meios de comunicação e as formas de produzir e desfrutar de informação e […]



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