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Antes que a história se apague

11 de outubro de 2008 - 9:05 pm

Antes que ele seja inapelavelmente varrido para debaixo do tapete da História, vale o registro de um desabafo pintado nos tapumes do que outrora foi um posto de combustíveis em uma das maiores avenidas de São Paulo, a Rebouças. Visivelmente rabiscada às pressas, provavelmente na não tão calada noite da metrópole, a tinta negra dispara: “Eleições ilegítimas. Quem tem fome não sabe votar! Odeio!”.

Não concordo totalmente com seu(s) autor(es). Como disse no post anterior, para mim está mais do que provado que voto irresponsável não é exclusividade de quem tem pouco estudo e parco acesso a informação e bens culturais — ou, no extremo, passa fome. Pelo contrário, não raro nos surpreendemos com os posicionamentos políticos das pessoas.

Descontando o provavelmente involuntário tom patético do “Odeio!”, não deixa de ser reanimador ver, assim escancarada aos olhos de todos, uma manifestação política nesta cidade “tão limpa”, tão esterilizada, que raramente discute seus problemas, que raramente se mobiliza. Seria bom ver mais gente debatendo, nos ônibus, nas ruas, durante o almoço ou o cafezinho, temas que não os placares da rodada, os rumos das novelas, as casas e festas das celebridades.

A propósito, outro dia, assistimos intrigados, minha esposa, minha cunhada, eu e meus sogros, a uma bela reunião de jovens — bem jovens mesmo e em expressivo número — sob o vão livre do MASP. Vociferavam palavras de ordem, agitavam bandeiras e cartazes; em seus rostos se via energia, se via indignação. Ficamos curiosos: contra o que mesmo se levantavam? O descaso com os serviços públicos, a morosidade da justiça? Apurando o olhar, depois de um tempo, descobrimos: protestavam contra a dissolução do grupo teen RBD…

– Ω –

Mundano e sua batalha contra a hipocrisia do cinza

Mundano e sua batalha contra a hipocrisia do cinza

Ainda sobre a mensagem indignada, desconfio que seja de autoria de um artista paulistano que se auto-intitula Mundano. Você já deve ter se deparado com alguns de seus graffitis espalhados pelos muros de São Paulo. Sempre com frases provocativas, como “Você é um escravo do trânsito” ou “Apaguem a corrupção, e não a arte do povo”, Mundano trava uma verdadeira batalha contra o que ele denominou “cinza kassabiano” e diz que, cansado dos “hipócritas que só vão às exposições atrás de bebida e comida de graça”, procura levar suas manifestações para onde “as pessoas reais” estão: as ruas.

Escrito por Ronoc ¦

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One comment

  1. Dos caras pintadas aos pró-RDB, a Paulista já foi pisada por tudo.



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